Terça-feira, 16 de Março de 2010

Imaginação de Páscoa

Imaginação de Páscoa

 

Desde o início de Fevereiro que podemos facilmente reparar no alongamento dos dias. Após o Inverno frio e sinistro, os dias já são sensivelmente mais claros e os raios do Sol mais quentes. Isto faz com que os mensageiros da Primavera brotem do chão: os crocus, os narcisos, as anémonas e depois as forsythias, as magnólias e finalmente as árvores frutíferas como pessegueiros, cerejeiras, etc. Todas produzem flores que se formaram no ano anterior. Elas repousam em tubérculos, bolbos, botões e mais não precisam que brotar para florirem rapidamente. As formas e as cores assim como a sua delicadeza são encantadoras. Um perfume mais intenso forma-se no calor do início do Verão. As primeiras flores surgem como infantes de Luz antes das folhas.

 

A segunda coisa que indica, sem equívoco, a Primavera, é o canto dos pássaros. A vivacidade, o ardor a construírem os ninhos, os fenómenos da parada nupcial com o renovar das cores da plumagem e finalmente a postura e o chocar dos ovos, tudo isso faz parte deste momento do ano. Os cuidados dispensados às novas gerações fazem-nos participar no processo de renovação que invade a Natureza. O mesmo acontece quando o nosso olhar repousa no solo. Podemos reparar, quando num passeio, a erva a renascer, nos muitos caracóis que roem as folhinhas novas das ervas e constróem as suas novas conchas. Estas luzem à luz do Sol e têm ainda a borda mole. Assim que, comas primeiras chuvas menos frias, o calor do Sol penetra no solo, o ar adquire um perfume de especiarias. O solo começa a respirar sob intensos processos de decomposição de matéria orgânica. Uma Vida prodigiosa de pequenos animais começa a se desenvolver no solo.

 

Com o alongamento da duração dos dias, o céu estrelado empalidece, as constelações típicas de Inverno, como Orion, afundam-se no horizonte e as actividades diurnas começam a ocupar-nos cada vez mais. O Sol activa bem mais a nossa atenção que as estrelas neste momento do ano. A Lua Cheia de Primavera ainda tem uma certa importância, pois ela determina a Páscoa.

 

A festa da Páscoa pertence portanto à estação primaveril. A sua preparação faz-se desde a quarta feira de cinzas, durante o tempo da Paixão. É claro que a Quaresma tem hoje apenas um pequeno significado (ao contrário do Carnaval), mas originalmente era visto como um tempo de preparação, semelhante ao Advento antes do Natal. É o tempo durante o qual, o Cristo avançou conscientemente no seu caminho para a crucificação. Nós lembramo-nos da Sexta Feira Santa e celebramos a Ressurreição como a mais importante festividade cristã.

 

O passeio de Páscoa, tradicionalmente, faz-nos participar nos acontecimentos da Natureza. Mas o fenómeno primaveril está realmente relacionado com a Morte e a Ressurreição? Podemos nós realmente viver isso quando consideramos as flores, os animais, o solo, as condições do ar e as mudanças do Sol e da Lua? Esse seria o conteúdo de uma imaginação da Páscoa se aí chegássemos. Uma imaginação é captada no sentido do acontecimento, portanto dos processos que aí ocorrem. Estes, contudo estão sempre ligados a transformações químicas. Será portanto de espantar que Rudolf Steiner tomasse como ponto de partida para a apresentação da Imaginação Pascal, a descrição de transformações químicas? A relação entre o ácido carbónico e o calcário no seio dos ciclos da Natureza é de uma importância particular para a Primavera. Eis porquê devemos primeiro descrever os processos do ácido carbónico e do calcário na Natureza e no Homem.

 

A Relação entre o Ácido Carbónico e o Calcário

 

Sob o termo ácido carbónico, designamos a forma activa do dióxido de carbono (CO2) na água. Trata-se de facto de um ácido fraco, uma vez que não há senão uma muito pequena percentagem de gás carbónico realmente activado em ácido. A maior parte do gás carbónico fica volátil na água, o que podemos constatar pelo facto que não podemos forçar uma maior quantidade desse gás a entrar numa garrafa de água mineral, a não ser  sob o efeito de altas pressões. O dióxido de carbono provem da degradação oxidativa de substâncias orgânicas pelas bactérias, fungos, animais e o ser humano e pela respiração mesmo das plantas, não dependendo da Luz. Naturalmente uma parte não negligenciável provem da combustão de substâncias orgânicas ou fósseis.

 

O processo inverso desenrola-se na planta verde com a assimilação clorofílica. Pelas folhas, o dióxido de carbono do ar é absorvido e ligado à água e aos sais nutritivos do solo; forma-se assim uma substância vegetal e oxigénio, que é de novo liberto no ar. Instaura-se portanto na Natureza, um ciclo simples entre a actividade de edificação da substância vegetal na planta e a degradação da mesma substância pelos animais e pelas bactérias. De um lado, temos o carbono condensado em substância orgânica e o oxigénio. Do outro, os dois são de novo combinados e libertos sob a forma de dióxido de carbono. Todos os seres vivos estão relacionados uns com os outros no seio deste ciclo.

 

Dois sistemas estabilizam este ciclo, o que quer dizer que eles compensam as grandes variações. O primeiro sistema imobiliza a substância orgânica contendo carbono, por um tempo assaz longo. Isto produz-se sobretudo nas plantas terrestres superiores (lenhosas). Nas águas, onde a troca principal de substâncias orgânicas se desenrola no plâncton, este ciclo é bastante mais rápido. Árvores, que podem ter várias centenas de anos, armazenam uma grande quantidade de carbono o qual, após a sua morte, é progressivamente e regularmente restituído ao ciclo do carbono por meio dos processos de decomposição. Para maior comodidade, utilizaremos os termos “carbono” ou “carvão” (substâncias carbonadas) quando tratarmos da multiplicidade de substâncias vegetais, uma vez que se tratam de substância orgânicas reduzidas e colocadas em relação de polaridade com o dióxido de carbono, que é a sua forma oxidada.

 

O segundo sistema, que compensa as variações dos conteúdos em carbono e ácido carbónico, é a relação entre o ácido carbónico e o calcário. Podemos aqui distinguir dois ciclos. O primeiro é um grande ciclo que se desenrola à escala do tempo geológico. Assim que minerais contendo cálcio, como por exemplo os feldspatos do granito, se degradam, o carbonato de cálcio (CaCO3) forma-se a partir do cálcio solúvel e do óxido de carbono contido no ar e na água da chuva. Os vegetais e os animais participam em grande medida nos processos de degradação, portanto da dissolução da rocha, assim como na precipitação do calcário. Assim que o calcário é apanhado nos rios e desemboca finalmente nos lagos e oceanos, produzem-se sedimentos que levam à formação de diferentes rochas calcárias. Estas podem passar por uma nova fase de formação rochosa quando o fundo dos oceanos desliza sob os blocos continentais. Nas zonas ditas de subdição reina um vulcanismo abundante. Pelo calor, o dióxido de carbono contido nos sedimentos calcários é de novo libertado e lançado na atmosfera em grandes quantidades nas erupções vulcânicas. O cálcio é então de novo associado à sílica sob a forma de silicatos. É assim que nascem novas rochas podendo formar maciços montanhosos, rochas essas susceptíveis, um dia, de se degradarem e de libertarem novamente o cálcio.

Um facto espantoso se revela no pequeno ciclo do ácido carbónico e do calcário: o carbonato de cálcio insolúvel  (CaCO3) é solubilizado pelo gás carbónico com o qual não podemos enriquecer a água a não ser sob forte pressão. De um ponto de vista formal, cada ião cálcio liga-se a dois iões carbonatos. Este processo pode ser observado nas grutas calcárias. As grandes salas dessas grutas nasceram da dissolução do calcário pelo gás carbónico contido na água – e não pela erosão mecânica como por vezes se conta. Podemos reconhecer isto mesmo no facto de por todo o lado onde são formadas essas grandes salas, as rachas transversais vêm encontrar-se na racha principal. A força de dissolver mais calcário provem da mistura de duas correntes de água saturadas de calcário, sob ligeiras variações de temperatura e/ou de pressão. Isso é possível porque, em princípio, a mistura de duas correntes de água contendo diferentes concentrações de calcário pode dissolver mais calcário que uma água contendo a média dessas duas concentrações.

 

A mistura do ácido carbónico e do calcário é ainda surpreendente por um outro facto. Sabemos que não conseguimos obter verdadeiramente substância sólida, como sal correspondente a essa proporção de ácido carbónico e de calcário. Se tentarmos fazê-lo, o calcário duro separa-se rapidamente do gás carbónico. Uma ligação entre essas duas substâncias não existe senão como solução na água. Eis porquê uma grande quantidade de gás carbónico pode ser elevado no ar e imobilizado nas diversas águas da Terra por um certo tempo. No seio dessas águas, no entanto, existe também um ciclo. É o que vamos ver de seguida.

 

A Influência dos Vegetais e dos Animais na Relação entre o Ácido Carbónico e o Calcário

 

Consideremos por exemplo, um lago nos contrafortes dos Alpes, onde a água é rica em calcário. Isto é igualmente válido para os processos que se desenrolam no solo. Muito ácido carbónico dissolve-se na água e também, portanto, calcário, sobretudo no Inverno, quando as temperaturas são baixas. As concentrações em ácido carbónico e calcário estão, portanto, equilibradas. Rudolf Steiner utiliza, para caracterizar o calcário de Inverno, a expressão “satisfeito”. Quando, no princípio da Primavera, a luminosidade aumenta, a camada de gelo funde e a água aquece um pouco, muitas espécies vegetais plantónicas começam a se desenvolver. Elas multiplicam-se tão depressa que a água turva-se e torna-se verde amarelado. A visibilidade do lago de Constância, por exemplo, pode se reduzir de 12 para 2 metros. Forma-se uma grande quantidade de substância orgânica a partir do dióxido de carbono da água. O calcário, que estava dissolvido pelo dióxido de carbono, precipita-se então. Em Maio, descobrimos uma crosta calcária, bem distinta, no fundo do lago. Nessa crosta calcária estão incrustados todos os objectos e restos vegetais que se depositaram no fundo do lago. Este calcário de Primavera, Rudolf Steiner caracterizou-o como “ávido”, porque ele gostaria de absorver de novo o ácido carbónico. Trata-se de um calcário amorfo, sem forma própria. Sublinhamo-lo aqui para o distinguir do calcário elaborado pelas conchas e caracóis para fabricarem as suas casas. Se pudesse tomar forma, este calcário tornar-se-ia a forma de expressão de uma Alma, como o assinalou Rudolf Steiner. Neste caso, o solo (Terra) coberto de calcário poderia tornar-se o portador de uma sensibilidade. Em resumo, o vegetal:

 

-          absorve o dióxido de carbono

-          dá forma à substância orgânica (carvão)

-          precipita calcário polvorento (amorfo)

A influência dos animais é perfeitamente complementar disto. Pouco após a floração das algas na Primavera, descobrimos também uma proliferação abundante de pequenos crustáceos que devoram as algas. Em Junho, por pouco tempo, a limpidez da água do lago de Constância reaparece com uma visibilidade profunda, quase igual à de Inverno. Os animais do Zooplâncton, digerindo a substância orgânica, expiram abundantemente o dióxido de carbono. Este volta a dissolver a maior parte do calcário precipitado. Mas é possível ao organismo animal ligar-se ao calcário e o organizar sob a forma de concha específica da espécie, como facilmente podemos ver a olho nu nos moluscos e nos caracóis e no plâncton. Os animais podem mesmo fazê-lo enquanto a água ainda está a dissolver o calcário e que, portanto, está insaturada. Portanto, os animais:

 

-          digerem e decompõem por oxidação (respiração) a substância orgânica carbonada (carvão)

-          expiram dióxido de carbono

-          imobilizam o calcário, organizando-o para formar a sua concha e dissolvem o calcário amorfo pela sua excreção de ácido carbónico

 

A planta só pode constantemente edificar a matéria orgânica e não pode transformar os seus órgãos, uma vez construídos. Falta-lhes a possibilidade de degradar e dissolver os órgãos assim edificados. A substância vegetal organizada é, por este facto, a expressão dos processos que se desenrolaram no passado. Aquilo que não é senão pouco aparente nas plantas aquáticas, torna-se evidente nas plantas terrestres, sobretudo nas lenhosas. São formados órgãos de uma substância sólida. Na água, podemos perceber bem como, paralelamente à assimilação do carbono, o calcário incrustado é eliminado. A actividade formadora endurecedora predomina, portanto, nestes processos. É pelo facto que o organismo animal desenvolve uma fisiologia pela qual pode dissolver e expirar que, na Natureza, a transformação e a evolução se tornam possíveis. Processos de dissolução criam novas possibilidades e podem portanto ser considerados como voltados para o futuro. O que queremos dizer com isto é que pela junção destes últimos aos processos de edificação, a dinâmica da formação e da dissolução tornam possível a evolução e portanto, impulsos do futuro.

 

 

 

 

 

 

 

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Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2010

Notícias de Fevereiro

Como vai sendo habitual, vamos realizar o levantamento do preparado 500 na quinta do Filipe Antunes a 11 de Abril pelas 9.00 horas. Este ano haverá uma introdução teórica à Biodinâmica pela manhã, seguindo-se o trabalho de levantamento dos cornos.

No dia anterior haverá uma palestra sobre Biodinâmica na quinta de Segade, em Penafiel.

 

João Castella

sinto-me:
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Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

A Agricultura Biológica e Copenhaga 2009

 

Mudanças climáticas, CO2 e agricultura biodinâmica

                                                                         Extracto da Newletter da Demeter International de 2010

 

A Demeter International quer ter uma voz no debate sobre alterações climáticas e Helmy Abouleish (fundador da organização SEKEM) concordou em representar a DI no palco mundial como representante das suas próprias (e de Sekem/ Egito) actividades.

O relatório seguinte é um resumo da participação em Copenhaga:

 

Numa escala universal, a agricultura contribui com 6,2 gigatoneladas (Gt) de CO2 - as emissões equivalentes às emissões totais anuais da indústria que são de 45,9 Gt. O potencial para reduções de emissões neste sector é de 4,6 Gt.

 

A agricultura biológica de qualidade, quando praticada numa escala significativa, não só poupa os solos de uma quantidade substancial de fertilizantes sintéticos e de outros agentes sintéticos para protecção das plantas, como também poupa a já escassa água superficial e providencia produtos alimentares de qualidade.  Também tem um potencial importante de sequestro de carbono. Enquanto a agricultura convencional depende cada vez mais de produtos sintéticos que requerem grandes quantidades de energia para o seu fabrico e que produzem quantidades apreciáveis de gases de estufa, a agricultura biológica ajuda activamente a construir um solo saudável que pode servir de “depósito” para gases de estufa. O alto teor de húmus nos solos biológicos ajuda também a poupar água de irrigação pois consegue reter maiores quantidades por maiores períodos de tempo que os solos empobrecidos que são frequentemente o resultado de práticas convencionais ao longo de vários anos – um facto que se tornará cada vez mais importante no futuro quando o mundo tiver que lidar com escassez de água em temperaturas que se esperam ainda maiores que as verificadas hoje.

 

A conferência de Copenhaga sobre alterações climáticas

 

De 7 a 13 de Dezembro,  Helmy Abouleish, CEO e o grupo SEKEM, formaram parte da delegação oficial Egípcia à conferência de Copenhaga sobre alterações climáticas. Nela, o sr. Abouleish  empenhou-se especificamente no apoio à agricultura num quadro global de um novo sistema de apoio que inclua tanto as emissões como os potenciais riscos para a agricultura.

 

O papel da agricultura no combate às alterações climáticas foi discutido em Copenhaga tanto na perspectiva do seguimento do protocolo de Kyoto como pelos negociadores que não assinaram o primeiro documento. Embora a  agricultura estivesse na agenda em 1997 em Kyoto, praticamente ainda não existem mecanismos de apoio financeiro à conversão para métodos de cultivo de baixas emissões. Contudo, o desenvolvimento de mecanismos simples mas abrangentes baseados na estrutura do próprio protocolo de Kyoto,  deveria levar a rápidos sucessos.

 

Seguindo as deliberações do protocolo de Kyoto-Plus, os delegados também discutiram a chamada abordagem sectorial que realça a importância sistémica da agricultura. Seria igualmente possível juntar a agricultura ao sector de “gestão florestal”. No entanto ambas as abordagens levariam ainda algum tempo e a pesquisa adicional e o desenvolvimento ainda não são adequados..

 

 

Helmy Abouleish, antes de deixar o Egipto, tinha uma atitude positiva em relação às vindouras deliberações sobre a agricultura em Copenhaga, mas vê-se agora forçado a tomar uma conclusão mais céptica. Ele há um interesse substancial no seu papel ao combate ao aquecimento global. Mas a importância de integrar as populações indígenas no diálogo assim como pôr uma ênfase mais forte nos aspectos menos atractivos como por exemplo a preservação da biodiversidade, ainda têm que receber maior atenção, disse  Abouleish.

Uma razão para as muitas diferenças entre os negociadores está nas drásticas diferenças económicas e dependências políticas na agricultura e respectivas indústrias. Enquanto muitos países da América do Sul focalizam os seus discursos na preservação das florestas, outros põem a ênfase na protecção e melhoramento dos solos.  “No entanto, todas as partes têm que partilhar a responsabilidade no domínio agrícola. O abate de árvores tem que parar imediatamente e isso tem de ser recompensado financeiramente. Simultaneamente temos de ter um claro limite temporal”, disse Abouleish.

E mais, todas as partes têm que assegurar que a par das emissões, os aspectos sociais e ecológicos não sejam negligenciados como sistemas que possam pôr em perigo os outros sectores. Helmy Abouleish, fez portanto um apelo a todos os sectores biológicos. “Há um real perigo que a agricultura convencional tome de assalto o desenvolvimento corrente e, por exemplo, crie enormes plantações  mono culturais que sejam novamente prejudiciais para o ambiente. O desafio de evitar que tal suceda, terá de ser compreendido por todas as empresas, associações, e institutos de pesquisa que para vencer, temos de trabalhar juntos”. Após Copenhaga, o verdadeiro trabalho de criar um base comum e real para os compromissos de cada país de reduzir as suas emissões de CO2 e mais acções, só agora começa e isto também para o grupo de SEKEM. As tabelas que deviam conter os objectivos concretos de emissões de cada país, ainda estão vazias no documento final da declaração de Copenhaga. Todos eles têm agora até final de Janeiro de 2010 de individualmente preenchê-las com esses números. E ainda por cima, nenhum compromisso financeiro foi obtido.

 

Martin Haagen, Bijan Kafi

Sekem Newsletter

 

Mesa redonda sobre agricultura biológica e alterações climáticas

 

Uma mesa redonda sobre alterações climáticas que será coordenada pelo FiBL e custeada pela FAO foi fundada após a conferência de Copenhaga. Tem a missão de desenvolver em 2010, métodos para medir efeitos no clima, na produção de alimentos biológicos.

 

publicado por biodinamicaportugal às 21:59
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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

2012 - UMA PREVISÃO

 

2012 – UMA PREVISÃO
 
Prever o futuro é um costume milenar e que melhor altura para o fazer senão agora que mudamos de ano.
Sem querer ser profeta da desgraça, também não quero me lançar em sonhos ilusórios de felicidade e abundância pois os factos mostram-nos a realidade. Na sua evolução, a humanidade tomou uma via que se aproxima rapidamente dum ponto de viragem importante, 2012, pelo qual, inevitavelmente, todos teremos de passar.
Muito tem sido dito e escrito sobre esta data (até Holywood se aventurou, à sua maneira, a abordar este tema) e várias são as dúvidas, as expectativas e os temores que o fim do calendário Maia tem lançado entre as pessoas, mas a realidade, que não é tão fantástica nem espectacular quanto os cineastas americanos nos querem fazer crer, mostra-nos que o que acontece no mundo, só é possível após a vivência interior, em cada um de nós, desses mesmos eventos.
Mas vamos aos factos: A história não é linear. Toda a evolução da humanidade decorre em ciclos. Portanto, certos acontecimentos da vida do universo repetem-se a níveis sempre diferentes em cada ciclo. A essência do fenómeno é a mesma mas a aparência é diferente e as experiências que dele recolhemos, são adaptadas aos níveis de consciência do momento. Existem vários calendários no mundo (Cristão, Chinês, Judaico, Astronómico, Maia, etc.) e todos eles possuem ciclos maiores e ciclos menores. Ora, 2012 é um fim de ciclo, de um grande ciclo em todos eles. Daí que essa data tem um significado particularmente importante. Mas um fim de ciclo, como qualquer crise, não é o fim do mundo. Será talvez o fim de um mundo, mas é certamente o início de um outro. Qualquer mudança de ciclo traz obviamente o fim de tudo ou de parte do que foi construído até então, mas traz igualmente a esperança do início de uma nova etapa na evolução. Perder o que nos é conhecido acarreta dor mas se pensarmos nas enormes possibilidades que um novo ciclo nos traz e se tomarmos consciência de que é assim que o mundo evolui e a humanidade também, que tudo isto não passa de uma inevitabilidade, a dor que possamos sentir, deixa de ser uma “dor” pois fica compreendida.
Mas a mudança de um ciclo não se processa impunemente. Como disse anteriormente, os acontecimentos exteriores são apenas a expressão física da nossa consciência, dos pensamentos, dos sentimentos, da vontade e do plano divino da criação. Uma mudança de ciclo implica necessariamente uma mudança de consciência e esta não ocorre do dia para a noite. Nesta mudança de ciclo que se aproxima, haverá aqueles que por virtude própria, estarão aptos a acompanhar o evoluir dos acontecimentos e haverá os que não estando conscientes da gravidade do momento, não serão capazes de os acompanhar e cairão com o ciclo. As experiências que todos (uns e outros) irão passar...correcção, já estão a passar, serão fortes, por vezes extremas e nem sempre se vislumbrará uma solução possível. A verdadeira mudança é interior, na certeza porém de que qualquer acção que tomarmos para nos adaptarmos às novas condições, às condições do novo ciclo, implicará, sem qualquer sombra de dúvida, enormes sacrifícios. Sacrifícios pessoais que irão para além do imaginável.
Em termos de Biodinâmica, em termos ambientais, assistimos este mês, na conferência de Copenhaga, à incapacidade dos nossos políticos de realmente compreenderem as mudanças de consciência que uma larga parte da população já manifesta. Enquanto milhares se manifestavam no exterior por verdadeiras mudanças na condução do mundo em termos ambientais, os que foram eleitos para o executarem, digladiaram-se, em nome dos grupos económicos que protegem, em afirmações de personalidade, na manutenção da velha ordem, enfim, na continuação da consciência do passado. Aquela que prefere destruir a Natureza e a humanidade para que uns poucos se exibam na feira das vaidades.
A verdadeira crise, hoje em dia, é ambiental, não é financeira. A verdadeira crise é, sobretudo, de consciência. Da consciência de que somos também seres naturais e que se não colaborarmos com a Natureza para a manutenção do planeta, esta reagirá aos muitos ultrajes que lhe têm sido feitos. E isso já começou. Não é por acaso que assistimos já a catastróficas inundações, tornados violentos, cataclismos vários incontroláveis. A Natureza já começou a mudança interiormente. Está a manifestá-la exteriormente. 2012 JÁ COMEÇOU. E se nós não acompanharmos essas mudanças com uma consciência ecológica actualizada, se não acompanharmos essas mudanças com atitudes que manifestem a nossa consciência ambiental, seremos arrastados pelo declínio do velho ciclo que não poderá perdurar para além do seu tempo próprio.
A BIODINÂMICA É, NA SUA ESSÊNCIA, UMA CURA DA TERRA. É um trabalhar a terra com uma compreensão da Natureza nos seus ritmos, nas suas leis de equilíbrio, nos seus processos. A Biodinâmica é o enquadramento da actividade agrícola numa nova compreensão dos fenómenos físicos. A consciência que estes têm causas que estão para além do visível, que essas causas pertencem a reinos (que agora começam a ser descobertos por um número cada vez maior de pessoas) cujo conhecimento é a essência da consciência do novo ciclo.
Praticar hoje Biodinâmica é uma arte. Mas é também a expressão de um querer ser parte da nova era. Mas, como toda a evolução positiva implica grandes sacrifícios, praticar hoje Biodinâmica, significa também ser consumido na fogueira da incompreensão humana, de ser humilhado, de ser desprezado por todos aqueles que insistem em manter a tirania do poder e da exploração do homem pelo homem. Praticar Biodinâmica requer uma ligação pessoal à fonte, à Natureza. E isso consegue-se com o cultivo da verdade, com sinceridade de sentimentos, com honestidade de acções e com meditação sobre as grandes realidades do Universo e do Homem.
Abordemos 2010 com estes pensamentos e prossigamos com alegria na nossa via de futuro, na certeza de que a evolução do mundo é dirigida por uma Natureza plena de Sabedoria, da qual nós, humanos, vamos tomando uma parte cada vez maior.
 
                                                            30 de Dezembro de 2009
 
                                                                        João Castella
 
 
 
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Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Publicações sobre Biodinâmica em Português

  • Compostagem e Preparados Biodinâmicos - João Castella 
  • Calendário Lunar 2010 - João Castella
  • Curso aos Agricultores (Fundamentos da Biodinâmica) - Rudolf Steiner
  • COBRE; ARGILA; ENXOFRE - Produtos fitossanitários utilizados na vinha - VVB
  • Vinho, do Céu à Terra - Nicolas Joly

 

 

 

Outras obras relacionadas com Biodinâmica em outras línguas, por favor contactar:

 

AGRIDIN - tel: 255433640

ou

Loja Cristina Siopa - Tel:218486502

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Notícias Dezembro 2009

  • Neste ano de 2009 tivémos o prazer de ver parte dos nossos esforços recompensados. Graças a um trabalho esforçado e continuado, o sumo de uva SUMBI, o vinho verde Quinta da Palmirinha, ambos de Fernando Paiva e o azeite Risca Grande receberam a certificação Demeter. Estes produtos encontram-se à venda nas lojas habituais de produtos biológicos. Por serem os primeiros produtos portugueses a receberem esta certificação, ficamos gratos pela dedicação e esforço prestados por todos os que contribuiram para a sua produção.
  • Foi recentemente posto à venda o Calendário Lunar 2010, instrumento fundamental para a prática da Biodinâmica.  Pode adquiri-lo na AGRIDIN, directamente comigo, João Castella, ou nos vários mercados e lojas biológicas do país. 
  • É com enorme prazer que registamos o regresso a Portugal do José Amorim para trabalhar na Herdade do Freixo do Meio. O Zé é um dos pioneiros do movimento biodinâmico no nosso país e possui um vasto currículo como agricultor, activista da Agrobio e sobretudo na implantação do movimento biodinâmico. A ele desejamos-lhe asmaiores felicidades e bons resultados na sua nova tarefa.
  • Relembramos que estão abertas as inscrições para dois cursos em 2010: um sobre Fruticultura biológica e biodinâmica e outro sobre Olivicultura biológica e biodinâmica. Ambos os cursos serão ministrados por Jorge Ferreira e João Castella. Pra pormenores contactar João Castella em castella.joao@sapo.pt
  • Através da Sociedade Antroposófica vou organizar em 2010 um curso de Introdução à Antroposofia (filosofia base da Biodinâmica). Este curso que decorrerá no Algarve e será repetido em Lisboa e no Norte (Penafiel) conta de 10 módulos, um por mês e nele serão abordados os principais temas que levam a uma compreensão aprofundada da Antroposofia e da Biodinâmica. Para pormenores contactar-me em castella.joao@sapo.pt

 

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A Biodinâmica em Portugal

A Biodinâmica em Portugal

 

 

Mais que um método agrícola, a Biodinâmica é uma atitude interior. Uma atitude de profundo respeito pela Natureza, pela Vida, pela nobre actividade agrícola e também pelo desenvolvimento do Ser Humano. Na verdade, só o conhecimento das leis da Natureza, dos seus tempos de actuação, dos seus ritmos e reacções, uma compreensão profunda das manifestações da Vida em todos os seus reinos e uma devoção séria mas realista à actividade agrícola e às pessoas a quem ela se destina, pode produzir produtos de qualidade. E qualidade, é a palavra chave na Biodinâmica. Qualidade na produção, qualidade na distribuição, qualidade no consumo, qualidade ambiental, enfim qualidade de vida.

 

Em Portugal, a Biodinâmica surge tardiamente em relação ao resto do Mundo onde é praticada com sucesso há mais de 70 anos. Sendo um movimento produtivo ecológico, enquadra-se dentro de um conceito mais vasto a que podemos chamar Agricultura Biológica e surge da necessidade que alguns agricultores sentem em desenvolverem uma actividade produtiva que seja simultaneamente respeitadora do meio ambiente e das inúmeras relações que os vários reinos da Natureza estabelecem entre si. Igualmente importante neste movimento é a preocupação de se estabelecerem relações sociais verdadeiramente respeitadoras dos direitos dos seres humanos e das experiências evolutivas que a sua prática proporciona.

 

A AGRIDIN foi fundada para incrementar a prática da Biodinâmica em Portugal. Para tal, vários especialistas estrangeiros foram convidados a virem dar o seu contributo. Através de várias palestras foram-se cimentando os conhecimentos e a vontade. A partir de 2006, com o fabrico e aplicação regular dos preparados Biodinâmicos, vários agricultores de várias áreas produtivas, passaram a pôr em prática os elementos essenciais à prática da Biodinâmica e pediram a certificação DEMETER para os seus produtos.

 

A AGRIDIN actualmente presta apoio ao desenvolvimento da Biodinâmica em Portugal através dos seus serviços de consultadoria, formação, publicações, apoio à comercialização, contactos internacionais e outros.

 

Para mais informações, contactar:

 

AGRIDIN

Rua General Vitorino Laranjeiro                        Tel: 255 433 640

Edifício Golfinho - Loja S – r/c                         Fax: 255 433 645

S.Gonçalo                                                

4600-018 AMARANTE          

E-Mail: agridin@gmail.com               

 

João Castella                                                Tlm: 965 282 463

Serviços em Biodinâmica                               

E-Mail: castella.joao@sapo.pt

 

publicado por biodinamicaportugal às 18:10
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Introdução

Caros amigos

 

A criação deste blog é uma tentativa de estimular e facilitar a troca de informações sobre Biodinâmica em Portugal.

As informações prestadas pela AGRIDIN, sobretudo através do seu site, não têm surtido o efeito desejado, além do que têm criado várias queixas pela falta de informação atempada.

Este blog vem portanto colmatar essa brecha e possibilitar uma comunicação que, por motivos vários, tem falhado.

Espero, sinceramente, que esta tentativa de manter o movimento biodinâmico em Portugal se mantenha, deste modo, "dinâmico" e que a edição deste blog venha responder às necessidades de todos aqueles que se interessam por Biodinâmica.

 

João Castella 

 

 

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